Tenho um amigo esquisito. Nem é amigo, nem é intimo. Não sei bem o que é, porque nem sequer tivemos nada. Não é carne, nem é peixe. Muito menos um vegetal maduro. Aliás, não temos qualquer tipo de relação. Não passa de mensagens fofas que ele me envia. Ora tem saudades minhas, ora quer convidar-me para passar uns fins de semana no Algarve, ora prefere um copo ou então apenas fumar um cigarro. Mas não passa somente de mensagens. Diz que faz e acontece e nunca o vi fazer nada. Se eu era comprometida, era porque era comprometida. Se eu sou solteira, é porque sou solteira. Já diz que sou a mulher da sua vida e nem sequer me beijou. Já diz que vamos ter dois filhos lindos, e nem sequer experimentámos a posição de missionário. Este moço limita-se a lembrar-se de mim quando o rei faz anos e eu já deixei de lhe dar importância há muito tempo. O que ele diz, não me diz nada. O que ele faz, não me diz nada. Não suporto ideia de não saber o que estou a comer e este prato nem sequer é apelativo à primeira vista. Nem à segunda. Nem jeitinho nenhum para seduzir mulheres.
A ultima dele foi assim.
Chegou da Jamaica e foi beber café. Por acaso, eu estava lá com a Sonhadora. Ficámos todos na mesma mesa. Contou o melhor das ferias, escutei-o com atenção. Entretanto ia fazendo perguntas, tal era a minha curiosidade. Já cansada de o ouvir falar, fui para casa. Pronto, toca o meu telemóvel com uma sms dele.
- Estavas tão linda Se estivessemos sozinhos não me escapavas.
Estivemos sozinhos ontem. Beijou? Não! Limitou-se a falar, falar, falar... Tive de lhe dizer.
- Tu tens medo de mim.
- Quero corresponder às tuas expectativas.
Ok, tem medo de mim. Sente-se intimidado. É que já não insisto. É que já nem tem hipótese. Dali nunca vai sair mais do que isto. Uma miséria.